Cultura e Estilo

Esportes para todos: aventura acessível no Uruguai

Un niño con una gran sonrisa se desliza acostado sobre una tabla de surf asistido por un guía ubicado detrás de él

Praticar esportes é uma atividade que turistas de todos os lugares do mundo querem fazer de forma crescente. Especialmente no chamado “turismo de aventura”, há espaço cada vez maior para experiências que todo o mundo quer viver ao chegar a um destino. No Uruguai, as pessoas com deficiência também podem encontrar esse tipo de experiência adaptada para curtir essa opção de forma segura.

Nadia Carreras, da Agência de Acessibilidade Cosabuena, publicou um artigo na Revista Latinoamericana de Turismo Inclusivo em que apresenta várias opções no Uruguai que vale a pena conhecer. Exemplos de representantes de destaque e inclusive de elite no esporte adaptado. Ou, como melhor define Nadia, “sonhadores que não se detêm frente à adversidade, seres com convicção e com uma força admirável, que encontraram um modo inteligente de driblar a característica que, por sua vez, faz com que sejam únicos”.

Vejamos algumas dessas experiências para encontrar também lugares e instituições onde essas atividades podem ser realizadas.

 

Surf inclusivo

Juan Ignacio Posadas é um surfista tetraplégico e uma referência no esporte adaptado. Sua vida mudou de repente no dia do seu aniversário de 30 anos. Saiu para surfar com amigos, pegou uma onda, se jogou na água. Nesse momento, soube que algo não estava bem. Ao mesmo tempo em que uma sensação de eletricidade percorreu suas costas, a imobilidade o deixou afundar sem conseguir flutuar. Pensou que ali terminaria tudo. A corrente o deixou na margem da praia sem nenhuma explicação lógica.

Depois do acidente, ficou em coma, imóvel, com um quadro médico muito pouco promissor. Um dia percebeu que podia mover um dedo e disse para si mesmo: “Até onde cheguei, isso é algo que vou provar por conta própria”. Com uma dura e extensa rotina de reabilitação, “Juancho” não só teve a capacidade de mover uma cadeira de rodas. Também representou o Uruguai no campeonato mundial de surfe adaptado nos EUA e voltou com uma medalha de bronze. Hoje pratica também Quad Rugby, sendo parte do time Los Criollos, a seleção uruguaia de rúgbi adaptado.

 

Em Punta del Este, há quatro anos e com o apoio da Prefeitura de Maldonado, acontece o encontro de surfe adaptado. De acordo com os organizadores, “o objetivo é, essencialmente, que o esporte funcione como fator de inclusão, além de fomentar práticas esportivas não convencionais, contribuir para desenvolver estilos de vida saudáveis e promover o surfe como recreação”.

Além disso, a cada temporada de verão, a Praia Malvín de Montevidéu, a “Escola do Mar” e o programa “Sonhando sobre as ondas” promovem e praticam surfe inclusivo, para pessoas com deficiência física e cognitiva. Inclusive com a adaptação de pranchas para quem necessitar de modificações.

Paracanoagem

Em qualquer atividade com um remo na água, a referência é Christian García. Precisou usar uma cadeira de rodas após um acidente de carro. Pratica Quad Rugby e remo. Representou o Uruguai nos Panamericanos no Rio de Janeiro e conquistou a medalha de bronze, além de ter participado de várias outras competições internacionais.

Desde que o remo toca a água, já se aprecia a sensação que oferece a natureza, com seus aromas e paisagens. Deslocar-se pelo rio presenteia a confirmação de se saber livre. Isso traz calma e motivação.

Christian diz que o melhor lugar para praticar o esporte é no Clube Alemão de Remo em Santiago Vázquez (Montevidéu) ou na cidade de Carmelo (Colônia).

 

Mas o Rio da Prata também é uma boa alternativa. A Escola de Remo de Punta Carretas, em Montevidéu, realiza o programa “Remo para todos“. Trata-se de uma atividade que busca a inclusão, nessa disciplina, de pessoas com algum tipo de deficiência. Para isso, contam com botes adaptados e com os instrutores Joaquín e Lucía, sempre dispostos a facilitar uma experiência enriquecedora para todos.

 

Vela adaptada

Enrique Font se converteu em um autêntico atleta. Sua impossibilidade de caminhar não foi obstáculo para conseguir levar o Uruguai a um pódio internacional. Uma conquista reservada para muitos poucos esportistas. Em 2018, foi medalha de bronze em remo adaptado, no Sul-Americano de Remo no Chile. Hoje continua na disciplina, treinando no Lago Calcagno, no departamento de Canelones. Mas o remo foi só a mais recente das suas paixões aquáticas.

Enrique também representou o Uruguai em vela adaptada. Em 2017, por exemplo, obteve o quarto lugar no Campeonato San Isidro Labrador, uma das competições de iate mais importantes da região, realizada na Argentina. Competiu com um dos veleiros adaptados do Iate Clube Uruguaio. Desde 2016, a instituição situada às margens do Rio da Prata, em frente ao Porto de Buceo, conta com um programa que coloca à disposição dos interessados essas duas embarcações. Para navegar com elas, não é preciso ser sócio do clube. Só entrar em contato com o local e reservar com antecipação.

 

Parapente

Matías Verdugo tem 29 anos e é engenheiro. Ficou paraplégico aos 14 anos por erro médico em uma biópsia nas costas. Há 4 anos fez seu primeiro salto em dupla em paraquedas e desde então pertence a esse lugar, ao ar. Pouco tempo depois, começou a praticar parapente, algo que o seduziu e que hoje o apaixona.

Começou o curso e na terceira aula foi convidado a voar. É a primeira pessoa em cadeira de rodas no Uruguai a receber instruções para voar totalmente sozinho. A adaptação da cadeira foi resultado de seu engenho e do de seus instrutores. É um esporte que realiza no departamento de Florida. A experiência lhe dá paz interior e adrenalina ao mesmo tempo. Duas sensações opostas que emergem juntas. O prazer é total, de independência, de descoberta de si mesmo. Sabe que, repentinamente, tudo pode mudar.

 

Matías aprendeu a voar em parapente com os instrutores do Flight Club Parapente, instituição onde também podem ser feitos voos acompanhados em paramotor. Para pessoas com deficiência, é recomendado especialmente o para trike. Trata-se de um carrinho de alumínio para duas pessoas que permite alçar voo facilmente para se deixar levar pelo céu sem dificuldades.

Por outro lado, para quem preferir viver a experiência de uma queda livre de quase um minuto, a mais de 200 km por hora, é possível realizar um salto em dupla em paraquedas, com a Tandem Factory. Os instrutores têm experiência em saltos com pessoas com deficiência, então vão encontrar a melhor alternativa para cada caso.

 

O trabalho em acessibilidade

O Uruguai é receptivo com a variedade de turistas que recebe. Pretende se adaptar às necessidades particulares. Trabalha na coleta de dados para a realização do diagnóstico, ao mesmo tempo em que promove políticas de inclusão. Em particular, o Grupo de Acessibilidade Turística do Ministério de Turismo (GAT) está atualmente trabalhando na adaptação de dois destinos: a Quebrada de los Cuervos, no departamento de Treinta y Tres, e os Montes del Queguay, em Paysandú.

A Quebrada oferece uma bela paisagem de serras e planícies que acompanham um vale que abre caminho ao riacho Yerbal Chico. Aqui se pratica trilha, observação de aves, atividades vinculadas a educação ambiental e camping.

Os Montes del Queguay, por sua vez, se distribuem por 20.000 hectares situados entre os rios Queguay Grande e Queguay Chico, próximos a Guichón. Lá encontramos grande variedade de vegetação nativa e fauna autóctona. O lugar oferece a possibilidade de praticar canoagem, safári fotográfico e pesca esportiva (com devolução).

Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ambos destinos serão em breve parte das opções de Turismo Aventura Acessível no Uruguai.

 


Foto de abertura: Presidencia de la República

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